Estímulo da produção de Literatura Periférica em meio à Juventude.

O Projeto Tenda Literária tem como objetivo transformar praças públicas em espaços culturais com oficinas e saraus voltados para a produção da Literatura Periférica nas diversas regiões da cidade de S.P. O Tenda Literária já foi contemplado com o VAI 2009 / 2010 (Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais). Em 2014 o projeto volta contemplado pelo VAI II.

sábado, 29 de agosto de 2009

Produção Periférica...

Não importou a chuva nem o frio, todos que participaram da 2ª Tenda literária, falaram de sua quebradas, Itaquera, Cisper, Suzano, Itaim Paulista, São Miguel, Ermelino Matarazzo, estavam todos presentes nos textos produzidos. Além das outras quebradas presentes na Tenda, Santo André, Jarinú, São Vicente e Capão Redondo.

Vejam os textos produzidos na 2ª Tenda Literária, com o tema "Minha quebrada".

Na minha quebrada

Tem samba na sexta,
funk no sábado e
forró no domingo.
Tem campo pro futebol de várzea,
Tem boteco em toda esquina,
Tem igreja pra quem gosta de rezar
E pra quem quer se encontrar.
Falta ônibus no fim de semana
E comida no prato de quem não trampa.
Eu moro em São Miguel,
Periferia boca quente da cidade cruel.
KELI

Na minha, na rua e na escola quebrada
Por trás da grade, muro, tinta e “burrocracia”,
Na sala um tanto quebrada, estão as carteiras, lousas e o “juízo”!
Que juízo faz de mim? Qual juízo tem para falar de mim?
“Menino assim morre cedo”
Mas nem começou a viver e vem você?
Autoridade, mediocridade e seu salário no fim do mês?
Qual a idade? 12 de dor, começa e ouve que o fim é próximo.
E a outra? Sei lá... mais de trinta.
Porquê não engole tinta e pinta a alma?
Deixa ela colorir o que o tempo tirou.
Derruba a grade e os muros quebrados da pequena consciência.
Enxerga de novo inocência, põe a saia de chita.
Faz reviver o Mesquita, no alto do Ermelino.
Descongela o tesão que eu sei que você tem.
Gelada você não vai fazer nada para animar a escola, a rua,
A minha e a sua quebrada!
ANA PAULA

Na minha que bradada tem lagoa, não tem clube,
Tem carroça e cavalos pra puxar, tem carrão e também carro popular.
Tem feira de sábado, feira do rolo, briga de rua, banho de chuva e bola de gude.
Tem morro, tem mata, tem morte de gripe e morte de bala.
Tem estrada de terra, asfalto quente, tem boca, tem trem, camelô, operário, taxista, funkeiro, tem tudo que aqui tem.
Como toda quebrada tem gente que faz festa na praça, na rua, na chuva, sem medo e sem grana.
VANDEI (Seu Zé)

Meu Bairro Cisper
Neste corredor que é o meu bairro
Muita coisa me assusta,
E ver a criança sem esperança
O jovem que perde seus sonhos,
E os políticos que colocam
Terra em cima dos meus grandes sonhos
Que há de ver vencer a criança.
BARTIRA

Periferia é mil fita.
São tantas coisas que se eu comentar você nem acredita.
È resistência, sobrevivência, é gueto!
Tem vida, alegria, corre-corre! Loko.
Sou eu, é você, é ele é ela.
Periferia é periferia em qualquer lugar!
UILIAN (Chapéu)

Itaim Paulista
De onde eu venho, talvez muitos não queiram nem conhecer.
Mas pra mim é onde me sinto em casa.
Ir na feira, no campo de várzea, lá circulo pelos becos e vielas, dia e noite.
Posso te afirmar que o Itaim Paulista é um bom lugar.
ALESSANDRO BUSO

No meu bairro é onde eu trabalho, onde a minha filha fez uma faculdade na Usp Leste.
È também o lugar onde conheci o meu marido, é onde também tenho o meu ganha pão,
meu corre-corre do dia-a-dia, eu amo muito a minha vila Cisper.
Poderia sei melhorar com mais interesse da população em adquirir melhorias.
ANA LÙCIA

Minha quebrada é a lá calabresa meio portuguesa.
Vila Ré, vila do Rei.
Terra com lei para classes médias
E cabeças medíocres
Aonde comemos ovo e arrotamos caviar
Aonde achamos que não há o que melhorar
Aonde pensamos que quebrada
È um lugar bem longe e perigoso
Sem poesia e gosto
Aonde reina a marcha ré da revolução
E onde a chance do novo também não sai do coração.
RAIMUNDO

Eu gosto muito do meu bairro.
São moradores antigos e pessoas bem diferentes.
Mas, na questão de benfeitorias, acho que falta muito incentivo cultural, principalmente para as crianças.
Acho também que deveria existir mais incentivo em relação ao meio ambiente, na coleta seletiva.
Pois isso feito vai dar resultado bom para todos.
RENATA

Eu acho que o meu bairro, deveria melhorar um pouco mais.
Dia de sábado tem feira e os feirantes jogam lixos na praça e isso faz a praça ficar suja.
Eu acho que a prefeitura deveria colocar lixeiras para todos reciclarem seu próprio lixo.
Irìa ficar muito melhor o bairro.
Acredito que as crianças são o futuro.
LETICIA ARAÚJO – 10 anos

Itaquera
Não te queria, cheguei
Te quero? Não sei...
Itaquera, fiquei.
Itaquera, você me quer?
Itaquera, me apaxonei.
Itaquera, queria você também.
MARINA TORRES

Moro aqui, na vila Cisper há 25 anos, cheguei aqui moleque, na época dos pastos, na época em que só havia uma padaria, uma farmácia, poucas escolas, campos de várzea, muitos botecos, apenas dois mercados, (o Oyakawa e o Mini-box).
Hoje tem um comércio, academia, pizzaria, até banco tem. Sustenta-se a lenda de que vão fazer da antiga fábrica da Cisper um shooping center, eu me pergunto se é disso que o povo daqui necessita.
Tudo conspira para que as pessoas tenham que sair da periferia, a busca por emprego, por cultura, por arte, por status, por diversão, vão procurar no centro o que não tem aqui.
Deixam no centro seu suor , seu dinheiro, parte significativa de suas vidas se perde no trânsito. Migramos para o centro procurando tudo que não tem aqui.
A vila Cisper, de um descampado sub-habitado a um bairro comercial, mas ainda falta algo, falta de espírito, que só a subjetividade expressa em forma de arte proveniente dos seus moradores será capaz de fincar suas raízes culturais.
Diría o Espanhol Marliel Castels “Canta a tua aldeia e serás universal”.
Espero um dia não termos que nos deslocar a procura de uma lama para o bairro, estamos no caminho certo para nos emanciparmos do centro fazendo a nossa cultura e nos tornando universais.
RENATO ADRIANO ROSA




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

2ª Tenda Literária aconteceu "Com a Benção dos Céus"!


Com a Benção dos Céus!
Na tarde chuvosa do domingo (23/08) aconteceu em Ermelino Matarazzo, mais precisamente, na Praça Francisca M. Santana, a 2ª Tenda Literária. E apesar de toda chuva e frio, a galera compareceu e mais uma vez fez da tenda um sucesso.
Num primeiro momento pensamos em cancelar o evento com medo de que a chuva atrapalhasse, mas quando o escritor Alessandro Buzo chegou e se dispôs a fazer a oficina de qualquer forma, resolvemos continuar...
A oficina começou com uma roda de conversa onde o Buzo nos contou um pouco de sua trajetória. Trajetória que se confunde com o início do movimento literário na Zona Leste; feita de luta, dificuldades, conquistas e vitórias. Em seguida, o escritor propôs a criação de textos e poesias com o tema “O Meu Bairro”.
O encerramento não poderia ter sido melhor, terminamos com um sarau onde foram lidos os textos produzidos regados ao som do Euclides, jovem músico morador do bairro e participante do coletivo Periferia Invisível.
Obrigada Alessandro Buzo. Estamos juntos.
Obrigada ao coletivo Periferia Invisível, à companhia Teatral TáTudoTopia, que mesmo não se apresentando, permaneceram conosco. Obrigada Euclides. Obrigada ao coletivo Livre Leste. Obrigada a todos os que estiveram presentes. Obrigada, mais uma vez, a todos que colaboraram para o sucesso da Tenda Literária.
E a chuva?! Bom... A chuva não atrapalhou em nada, talvez tenha sido a grande responsável pelos textos e poesias produzidos durante aquela tarde... Como flores que desabrocham na terra molhada, como sementes que encharcadas pela chuva dão o seu fruto.
E como não poderia deixar de ser: Vamo que Vamo!
Até a próxima!

Camila
Coletivo Tenda Literária

Obs. Veja as fotos no link:
http://picasaweb.google.com.br/tendaliteraria2/2TendaLiteraria#

sábado, 22 de agosto de 2009

Como chegar na 2ª Tenda Literária - Vl. Cisper / Erm. Matarazzo

Salve Galera vejam como é fácil chegar na 2ª Tenda Literária.
Praça Francisco M. Santana, s/nº - Vila Cisper

* Ônibus e lotação que passam em frente a praça.

Saindo do Metrô Tatuapé- Vila Cisper (sentido vila cisper) 2765;
Saindo do Metrô Tatuapé - Ermelino Matarazzo (sentido Ermelino) 2762;
Saindo do Metrô Guilherimna- Jardim Verônia (sentido Jd. verônia) 2722 * Lotação;
Saindo da Estação da Luz - Vila Paranaguá (sentido paranaguá) 211v;
Saindo do Pq. D. Pedro II - Jd. Verônia (sentido Jd. verônia) 2501;

* È só pedir para descer em frente ao Banco Bradesco da Av. Olavo Egídio de Souza Aranha.
* Também é próxima da Estação de trem USP-Leste, fica a 20 minutos de caminhada.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

"A LITERATURA PERIFÉRICA NA ZONA LESTE" - 2ª Tenda Literária


Dia 23 de Agosto de 2009 acontecerá a 2ª intervenção da nossa Tenda Literária! Neste dia teremos uma oficina com o escritor ALESSANDRO BUZO, com o tema "A LITERATURA PERIFÉRICA NA ZONA LESTE", a idéia é fazer uma conversa sobre a produção literária na Zona Leste e sobre quem são os atores desse movimento.
Começaremos as atividades ás 14:00 horas com uma apresentação teatral com o grupo TatudoTopia; em seguida ás 14:30 teremos a oficina com o Buzo e para finalizar ás 16:30 uma apresentação com o grupo musical "Banda Invisível".
Todas as apresentações serão com jovens artistas da região e na oficina contaremos com a presença de coletivos culturais da zona leste, como é o caso do Periferia Invisível.
A 2ª intervenção do Tenda Literária será na praça Francisca M. Santana - Vl. Cisper em Erm. Matarazzo, (próximo ao Banco Bradesco da Av. Olavo Egídio de Souza Aranha").

Vamo que vamo galera!!

Coletivo Tenda Literária

domingo, 2 de agosto de 2009

Produções literárias periféricas...


Na nossa primeira Tenda Literária, além do grande sarau, houve uma oficina literária ministrada pela pesquisadora da Puc-SP Rita Alves, que teve como tema, “O que é Literatura Periférica”.
Usando um formato nada convencional de fazer uma oficina em um espaço aberto, assim como é a proposta do “Tenda”, a assessora acertou em cheio, usando seu conhecimento e sensibilidade para provocar os jovens presentes a produzirem.
A oficina teve três momentos, no primeiro houve uma conversa sobre Literatura Marginal, contextualização da Literatura Periférica e uma reflexão sobre a proliferação de saraus na grande São Paulo, em seguida houve uma dinâmica de “Leitura Premiada”, onde os participantes eram incentivados a lerem poesias do varal e dos livros espalhados pela tenda, dando inicio a um mini sarau.
Mas o ponto forte da oficina foi o momento de produção, disparado por um pequeno concurso de poesia os participantes foram incentivados a produzirem.
Os participantes tiveram três temas como referência, “Eu no bairro”, “O futuro que vejo” e “Imagens da cidade”.
O resultado foram produções sensíveis, viscerais, surpreendentemente marginais.
Segue a baixo as produções dos nossos poetas da 1º Tenda Literária.

Futuro Que Vejo.

Dança, humildade

Loucuras, desejo.

Isso é só um pouco

Do futuro que vejo.


Vejo vida, esperança

Vejo grana, vejo paz.

Vejo padre, vejo Igreja

Vejo lua de mel, e eu sendo pai.


Vejo lá em 2.500

A criação dos meus institutos.

Vejo minha mãe e meu pai

Do meu lado bem caducos.


Não vejo meu filho engravatado

Eu vejo ele dançando breack.

Grafitando São Paulo

E andando de sk8.


Vejo sarais, vejo eventos

A periferia bem comentada.

E quem sabe em 2.500

Verei a Tenda Literária.


Eu vejo o meu futuro

Com a minha melhor maneira.

Vejo a ressurreição de Bob Marley

Salve nação regueira.


Não vejo a desigualdade

As drogas, a prostituição.

Eu vejo a humildade

Para o caído eu estendo a mão.


Ainda vejo os nordestinos

Levando sua cultura adiante.

Vejo todas as culturas

Umbanda, Rastafári, Punk.


Há quer saber de uma coisa:

Eu vou dormir faz bem assim.

Para que Deus abra os olhos

E veja tudo para mim.

Fim.

Autor: Luiz Paulo Roberto de Oliveira.


Imagens da cidade

Maquiagem borrada,

Suor?

Lágrimas?

Maquiagem barata!

Entre as pernas,

Arrombada!

Puta dor!

Muito trabalho.

Uma puta barata…

Em casa três filhos

Cuidados, vestidos,

Criados!

Filhos de uma Puta.

No caminho um pai?!

Sem nada,

Sem caráter, estúpido!

Sem a dignidade de uma puta mãe?

Por: Mônica e Silvana Vieira


O futuro que eu vejo….

O futuro que eu vejo não é diferente do que estamos vivendo agora.

O nosso presente é a conseqüência do que foi feito no passado, será?

Porém significa que se plantarmos o bem, colheremos o bem no futuro?

Não é bem assim, no mundo em que vivemos há milhares de pessoas com pensamentos e ações diferentes.

Bem. Bem? Bem! Que pensam em.

Você faz o bem?

O que você faz bem?

Para quê? Para quem?

Bem…

O problema é que hoje não se fala no bem,

Mas sim nos bens….

Por: Mônica e Silvana Vieira



Por que não agradecer

Apoio, participação, colaboração, isso dá muita alegria, aqui acabo inspirando minha Dramaturgia.

Literatura, teatro, poesia, unida num único corpo, muito gratificante estar reunidos com vocês todos.

Interpretar, falar, dançar, o importante na verdade é participar.

Dar o que tenho para expressar (na verdade) é o seguinte, aceitar com muito gosto o próximo convite.

Por: Carlos