Estímulo da produção de Literatura Periférica em meio à Juventude.

O Projeto Tenda Literária tem como objetivo transformar praças públicas em espaços culturais com oficinas e saraus voltados para a produção da Literatura Periférica nas diversas regiões da cidade de S.P. O Tenda Literária já foi contemplado com o VAI 2009 / 2010 (Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais). Em 2014 o projeto volta contemplado pelo VAI II.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A cena é de quem faz

Por Ni Brisant - Poeta, autor dos livros "Tratado sobre o coração das coisas ditas" e "Para brisa", organizador do sarau Sobrenome Liberdade.

No último sábado, (20/4), participei do Café com Cultura no espaço Anchietanum, cujo tema era Literatura Divergente e Cena Cultural da Cidade. Nessa ocasião, dividi a palavra com os parceiros Ruivo Lopes (Sarau da Ocupa), Binho (Sarau do Binho), Vandeí Oliveira e Camila Freitas (ambos do Tenda Literária).
O resultado foi muito proveitoso, pois pudemos falar um pouco sobre as dificuldades enfrentadas para fazer os saraus nas periferias e do papel sociocultural que esta cena cumpre ao encorajar o cidadão-comum a interferir positivamente na sociedade. Foi importante também porque conversamos com um público que não está habituado a frequentar "nossos movimentos" e que pode, algumas vezes, enxergar a periferia a partir da trinca "pobre, delinquente, ignorante" apresentada diariamente pela grande mídia.
Abordamos também as peculiaridades da nossa produção literária, a qual está relacionada diretamente a outras manifestações artísticas, como o desenho, fotografia, teatro e elementos da cultura Hip Hop.
A interação do público fez com que a discussão avançasse. Assim, além das perguntas estabelecidas pela organização, surgiram boas questões relacionadas ao apoio estatal (ou falta de), apropriação da nossa identidade cultural por terceiros, dentre outras. Estou convencido da relevância da literatura marginal, tanto no campo ideológico/político quanto no cenário artístico/acadêmico. É certo que temos muito a crescer, mas esse tipo de debate demonstra que a  arte produzida na periferia tem um valor que transcende o contexto social em que foi produzida. Mais que publicações literárias, estamos construindo um legado. A cena é de quem faz a diferença. Como já foi dito, agora somos nós quem contamos a nossa história.
Agradeço a todos que participaram desse encontro, principalmente ao espaço Anchietanum e ao Tenda Literária. Graças ao ambiente acolhedor e propício à reflexão, podemos pôr nossa realidade na mesa e, até certo ponto, analisá-la. No fim, saí inquieto. Com a convicção de que há muito a ser dito e discutido, mas há, sobretudo, muito a ser feito.


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